
Projeto Mil Arvores
Ontem alunos e professores do curso de geografia da Universidade Estadual do Paraná (Campus Campo Mourão/Fecilcam) e funcionários da Cristófoli e Sanepar passaram a manhã reflorestando uma pequena propriedade rural na saída para a comunidade do Alto Alegre. A ação faz parte do projeto ‘1000 árvores’ iniciado em junho deste ano que visava a preservação da microbacia do rio do campo.
Ao todo foram plantadas 500 mudas de Gurucaia, Marmeleiro e Canafistula entre outras. O responsável técnico pelo projeto na Sanepar, Donizete da Silva, explicou que foram escolhidas as espécies predominantes naquela área. “A seleção obedeceu a este critério de árvores nativas.”
Angela Cristófoli, idealizadora do projeto, explicou que o convite para o reflorestamento foi feito a pequenos produtores da microbacia do rio do Campo. “Tivemos uma boa aceitação e estamos aqui para dar continuidade a esse projeto”, relata. A ação começou com a retirada de quase 30 caminhões de entulhos das margens do Rio do Campo feita por caminhões da prefeitura. “É triste depois de todo aquele trabalho e todo aquele lixo retirado a gente voltar aqui e ver que novamente o pessoal está usando essa estrada como depósito”, ressalta Angela ao observar os novos montes depositados pelo caminho.
As placas colocadas informando que aquele não é um local para depósito de lixo não adiantaram. A conscientização não veio nem mesmo com uma placa da Sanepar informando que é daquele local que é retirada a água usada para abastecimento da cidade. Esse depósito ilegal é um dos grandes problemas ambientais do município e é impossível ser fiscalizado.
O professor do Departamento de Geografia da UEPR, Jefferson de Queiroz Crispim explicou em entrevista realizada no início do projeto que o que eles esperam é que haja uma conscientização da população. “Não só na bacia, mas também uma conscientização no próprio município. As pessoas precisam entender que não podem jogar esse material em qualquer lugar. Estão prejudicando elas mesmas”, diz. O rio do Campo fornece água para 80% dos mourãoenses, que são os mesmos que jogam resíduos contaminantes como lixo hospitalar e animais em decomposição.
Preservação
Para plantar as 500 mudas aproximadamente 500 pessoas estiveram envolvidas. Para os agricultores, o repovoamento da área não teve custo algum, pois as mudas foram doadas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A presença de vegetação no entorno da nascente além de garantir a qualidade da água funciona como uma barreira natural. “A mata depois de formada vai ajudar a proteger a água contra a contaminação por agrotóxicos, além de evitar o assoreamento e a erosão da área”, explica o estudante do 3º ano de geografia, Sergio Pagliarini.
Ele ainda ressaltou que com a formação de uma área com espécies nativas, os animais podem usar aquele espaço como corredor de biodiversidade. Ao seu lado, João Claudio Alcantara dos Santos, acadêmico do 2º ano limpava a área onde a muda seria plantada. “Se não retirar a grama do entorno, a árvore não consegue crescer, ela é sufocada pela grama”, comenta. Enquanto preparava o terreno, ele destacava para a reportagem da TRIBUNA que é importante entender que aquele é o rio que abastece a cidade. “Além da qualidade da água ficar melhor, a gente minimiza os impactos ambientais na nascente.”
Mais do que colocar a teoria na prática, os dois colocam que a maior vantagem de participar de ações como essa é se aproximar de uma realidade que normalmente só ouvem falar. “A gente mora a sete ou oito quilômetros daqui, então não conhece esse cenário. Ouve sim que é importante preservar, mas isso não faz parte do nosso cotidiano. Vindo aqui na propriedade e vendo o depósito de lixo temos uma noção melhor sobre o que precisa ser feito e podemos transmitir esse conhecimento para os demais”, finaliza Pagliarini.
Além desse plantio, Angela explicou que outras ações serão programadas antes do encerramento do projeto e uma parceria com uma escola municipal de Iretama está agendada para o início de dezembro.
Projeto 1.000 árvores
O projeto nasceu com uma campanha de marketing da empresa. Para um determinado número de equipamentos vendidos, seria feito um plantio de árvores. Segundo Crispim a preservação daquela região é extremamente válida. “Isso por conta de a bacia ser o manancial de abastecimento do município. Foi por essa preocupação com a melhoria na qualidade da água é que nós elegemos a bacia do rio do campo para receber o projeto.” Ele explicou que ela ainda apresenta algumas áreas com degradação ambiental. “A ideia não é recuperar tudo, até porque nós não conseguiríamos. Mas a ideia é dar o start, iniciar para alguém continuar”, acrescenta.
Para Angela, a principal vantagem do projeto é que envolve vários setores, público, privado, escolas e faculdade. “Se não a gente não consegue fazer. Nós tínhamos a vontade, mas o conhecimento de que árvore plantar, onde plantar, como cuidar, para isso precisamos da Fecilcam e da Sanepar. Para retirar os lixos sem a prefeitura não teríamos conseguido também”, completa.
Fonte: http://www.itribuna.com.br/campo-mourao/noticias/6376/?noticia=projeto-faz-plantio-de-500-mudas-de-arvores
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