Você já percebeu como as lesões em mucosa oral cicatrizam muito mais rápido?

Dr Vicente Torres e sua equipe de pesquisadores da Faculdade de Odontologia da Universidade do Chile investigaram o mecanismo in vitro, para entender por que  a cicatrização em mucosa oral é mais rápida. Testaram a substância Histatina-1 . Para contar mais sobre sua pesquisa convidei Dr. Torres, para um entrevista para o Blog Biossegurança.

1-BB: É possível medir quanto que  a cicatrização em mucosa oral é mais rápida quando comparamos com outros tecidos?

Dr Vicente Torres: Primeiramente, temos que ter em mente que a as lesões não cicatrizam sempre da mesma maneira. Depende de múltiplos fotos, tais como a natureza do ferimento, a área lesada, entre outros. Po risco é difícil determinar uma comparação precisa entre os tempos de cicatrização. Porém é possível estimar que a cicatrização em mucosa oral acontece de duas a três vezes mais rapidamente que a pele, segundo diversos estudos.

2-BB – Por gentileza, explique sua pesquisa da maneira mais simples possível

Dr Vicente Torres:Lesões na mucosa oral cicatrizam mais rapidamente e mais eficientemente que na pele. Isso se deve em parte devido à saliva. No entanto, os motivos subjacentes a essas diferenças que permanecem mal conhecidos. Uma vez que a angiogênese (ou seja, a formação de vasos sanguíneos) é fundamental para o sucesso e a eficiência da cicatrização de feridas, focalizamos nossos estudos sobre os efeitos da saliva e, especificamente, da molécula salivar, histatina-1, na angiogênese. Nossos estudos mostraram que a histatina-1 promove a angiogênese, como observado em experimentos realizados em três “níveis”:

(1) uso de células celulares humanas (células endoteliais, que são células que formam vasos sanguíneos),

(2) usando embriões de frango, como animal modelo,

(3) análise de amostras de saliva obtidas de doadores saudáveis.

Usando todos esses modelos, a histatina-1 e a saliva aumentaram a formação dos vasos sanguíneos. Além disso, nossos estudos fornecem informações sobre os mecanismos moleculares (sinalizado os caminhos), pelo quais as células endoteliais respondem à histatina-1, aumentando sua migração e adesão.

3-BB- Qual o potencial uso da histatina-1 para o campo médico?

Dr Vicente Torres:. Essas descobertas abrem novas alternativas para entender melhor a biologia subjacente às diferenças entre cicatrização oral e cutânea. Isso é importante, uma vez que os pesquisadores estão atualmente usando essas moléculas (as histatinas), para gerar materiais e implantes que incorporados em ambos, auxiliem a cicatrização de lesões  forneçam propriedades antimicrobianas.
Também poderia ser imaginado que estudos futuros irão ajudar no desenho de melhores abordagens para melhorar a angiogênese e, portanto, cicatrização de feridas em outros tecidos que não a boca.

4-BB- Você acha que é possível que histatina-1 seja  produzida em grande escala para este propósito?

Dr Vicente Torres : Seria desejável. No entanto, os métodos atuais para obter o peptídeo são caros, assim como sua síntese química.

Agradeço Dr Torres pela sua pronta reposta e pelo envio das fotografias que ilustram esse post.

Muito interessante o estudo e desejo ter inspirado a comunidade odontológica para abrir os olhos, a mente e o coração para a pesquisa.

Pode ser a explicação para “Lamber Feridas”- literalmente!

Liliana Junqueira de P. Donatelli

 

 

Autor

Bióloga, Mestre em Saúde Coletiva, Coordenadora do Projeto Biossegurança em Odontologia, e mais recentemente do Projeto Biossegurança Beauty& Body Art, ambos patrocinados pela Cristófoli. Já ministrou mais de 500 palestras sobre o tema Biossegurança em Saúde e participa ativamente de entidades dedicadas ao Controle de Infecção em Saúde e Interesse à Saúde. É consultora em Biossegurança em Saúde da Cristófoli.

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