Histórico da data – Vítimas de Acidentes Trabalho 

No dia 28 de abril de 1969, ocorreu uma explosão na mina de Farmington – Virgínia – EUA, onde morreram 78 mineiros. Em 2003, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotou essa data como o dia oficial da segurança e saúde nos locais de trabalho. Em maio de 2005, foi instituído o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Doenças e Acidentes de Trabalho, regulamentado pela Lei no 11.121/ 2005.

Reencape de agulha contra o dedo ainda causa muitos acidentes com pérfuro-cortantes envolvendo material biológico.

Acidentes de trabalho no mundo

As datas são importantes  para nos lembrar dos fatos e nos fazer pensar, questionar- e agir!

A OMS  (Organização Mundial da Saúde) estima que sejam?

  • 35 milhões os profissionais da saúde no mundo dos quais:
    • 2 milhões  de acidentes  pérfuro-cortantes envolvendo material biológico contaminado com pelo menos um dos três vírus: HIV, HBV ou HCV por ano que resultam em:
      • 66.000 infecções por HBV;
      • 16.000 por HCV;
      • 1000 por HIV por ano.

Os dados registrados estão muito aquém destes números, possivelmente pela enorme sub-notificação desses acidentes, constatada por vários estudos sobre o assunto.

Como podemos colaborar para evitá-los?

O que efetivamente estamos fazendo para prevenir os acidentes de trabalho dentro do nosso serviço?

Sugestões:

  • Os EPIs estão sendo corretamente utilizados?
  • Transporte de instrumentos contaminados é realizado em caixas fechadas até a sala de esterilização?
  • Os coletores de pérfuro-cortantes estão bem posicionados e fixados?
    • Em quantidade suficiente?
    • Próximos aos pontos de geração?
  • Quando eu vejo uma situação que pode colocar outro trabalhador em risco:
    • eu o abordo de maneira educada?
    • sem embaraçá-lO?
    • com a finalidade de evitar o acidente?
    • em um momento apropriado?
  • As capacitações para prevenir acidentes estão sendo realizadas?
  • Existe um plano de gerenciamento de resíduos efetivo? 
  • Há um protocolo para acidentes envolvendo material biológico?
    • Que hospital procurar e os primeiros socorros?
    • Os profissionais recebem treinamentos específicos?
  • Os profissionais do seu serviço foram treinados para atender primeiros socorros?

Alguns números de acidentes ocupacionais no Brasil

O setor de saúde  tem ocupado o 1º lugar no ranking de registros de acidentes do Ministério da Previdência Social. Supera até mesmo a segmento da Construção Civil. Levantamento realizado pelo Ministério da Previdência Social, em 2004, mostrou que do total de 458.956 acidentes notificados, 30.161 correspondiam ao setor de saúde. O fato agravante é que houve um aumento de acidentes de mais de 30% em relação a 2003, quando o setor registrou 23.108 registros. Os acidentes mais comuns ocorridos neste setor são os com perfurocortantes, que expõem os profissionais a doenças infecciosas como as Hepatites B e C, além do HIV.

Doenças Ocupacionais

Em 2009 foram registrados 723.452 acidentes e doenças do trabalho, entre os trabalhadores assegurados da Previdência Social. Observem que este número, que já é alarmante, não inclui os trabalhadores autônomos (contribuintes individuais) e as empregadas domésticas. Estes eventos provocam enorme impacto social, econômico e sobre a saúde pública no Brasil. Entre esses registros contabilizou-se 17.693 doenças relacionadas ao trabalho, e parte destes acidentes e doenças tiveram como conseqüência o afastamento das atividades de 623.026 trabalhadores devido à incapacidade temporária (302.648 até 15 dias e 320.378 com tempo de afastamento superior a 15 dias), 13.047 trabalhadores por incapacidade permanente, e o óbito de 2.496 cidadãos.

Mais números

Para termos uma noção da importância do tema saúde e segurança ocupacional basta observar que no Brasil, em 2009, ocorreu cerca de 1 morte a cada 3,5 horas, motivada pelo risco decorrente dos fatores ambientais do trabalho e ainda cerca de 83 acidentes e doenças do trabalho reconhecidos a cada 1 hora na jornada diária. Em 2009 observamos uma média de 43 trabalhadores/dia que não mais retornaram ao trabalho devido a invalidez ou morte.

Se considerarmos exclusivamente o pagamento, pelo INSS, dos benefícios devido a acidentes e doenças do trabalho somado ao pagamento das aposentadorias especiais decorrentes das condições ambientais do trabalho em 2009, encontraremos um valor da ordem de R$ 14,20 bilhões/ano. Se adicionarmos despesas como o custo operacional do INSS mais as despesas na área da saúde e afins o custo – Brasil atinge valor da ordem de R$ 56,80 bilhões (Fonte: Previsão MPS). A dimensão dessas cifras apresenta a premência na adoção de políticas públicas voltadas à prevenção e proteção contra os riscos relativos às atividades laborais. Muito além dos valores pagos, a quantidade de casos, assim como a gravidade geralmente apresentada como conseqüência dos acidentes do trabalho e doenças profissionais, ratificam a necessidade emergencial de construção de políticas públicas e implementação de ações para alterar esse cenário.

Parece que ainda temos muito o que fazer!

Tivemos boas novidades em termos de legislação, mas ainda somos campeões em acidentes, e muito afetados psicologicamente. Em tempo vou convidar uma especialista para falar sobre a síndrome de Burnout.

Muitos acidentes podem ser evitados – É olhar com outros olhos!

E arregaçar as mangas…

Liliana Junqueira de P.Donatelli

Dados do site www.tspv.com.br

As informações quantitativas apresentadas tem como fonte o Anuário Estatístico da Previdência Social – AEPS 2009.

 

Autor

Bióloga, Mestre em Saúde Coletiva, Coordenadora do Projeto Biossegurança em Odontologia, e mais recentemente do Projeto Biossegurança Beauty& Body Art, ambos patrocinados pela Cristófoli. Já ministrou mais de 500 palestras sobre o tema Biossegurança em Saúde e participa ativamente de entidades dedicadas ao Controle de Infecção em Saúde e Interesse à Saúde. É consultora em Biossegurança em Saúde da Cristófoli.

1 Comentário


  1. Eu não sei se poderia afirmar que faltam políticas públicas para evitar doenças e acidentes de trabalho, mas com certeza falta a efetivação do que manda a legislação. É preciso ter mais fiscalização e aplicação rigorosa para evitar que os trabalhadores paguem pela irresponsabilidade dos empregadores (na maioria dos casos).

Deixe uma resposta