Você sabia que os eventos adversos relacionados à medicação em crianças são muito frequentes?

O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) dos Estados Unidos informa que 200.000 crianças abaixo de 17 anos visitam os departamentos de emergência anualmente devido a eventos adversos relacionados a drogas. Muitos são devidos a erros na medicação em crianças.

Colheres x mL (isso mesmo: com o “L” maiúsculo)

A dose da medicação é fundamental para a eficácia do tratamento. Quando acontece um  erro na administração do medicamento, pode significar que o remédio não tenha o efeito desejado, mas em um caso de superdosagem é possível ocasionar efeitos adversos severos e até colocar em risco a vida do paciente. Quanto menor o peso /idade da criança maior o risco. E certamente depende do princípio ativo. Por esse motivo os pais e profissionais da saúde devem fugir das colheres como medidas para medicação oral. A padronização em mL é primordial. Existe inclusive um documento que ensina os profissionais da saúde como escrever corretamente na receita. Uma padronização. O maior cuidado é com os “zeros”, justamente para não haver falha na interpretação da receita.

Colheres de chá da minha casa erros de medicação
Colheres de chá da minha casa

Seringa X copinho medida

Nossos olhos nos enganam. Só para ilustrar o ponto,  fiz uma busca na minha casa e peguei todas as colheres de chá e medi em mL (usando uma seringa) o que cabia de água em cada uma. A variação foi imensa, de 7,5 mL a 2,3 mL. Na foto acima, ordenei do maior  volume para o menor, da esquerda para a direita. Veja como a primeira parece menor que a segunda!

Em um vídeo, sobre como fazer a solução do detergente enzimático,  eu já abordei  essa questão de medidas sugerindo usar uma seringa em mL e seguir as instruções do fabricante.

Além de usar a medida de volume em mL também é conveniente utilizar uma seringa, que é muito mais precisa que o copinho medida, mesmo graduado em mL. Por esse motivo, muitos antibióticos em soluções orais para crianças  vêem acompanhadas com seringas graduadas. Geralmente possuem duas escalas,  mL e outra com equivalência do medicamento para o peso da criança. Isso  ajuda os pais a conferir a medicação.

Todo esforço é válido para proteger as crianças e contribuir para que os pais e outros cuidadores administrem a medicação corretamente.

Profissionais: receitas impressas por favor!

Muitos médicos aderiram  ao combo computador/impressora. O pessoal da farmácia deve estar adorando. Já comprei remédio errado mais de uma vez porque o atendente não decifrou corretamente a caligrafia do médico. Eu li a bula e percebi o erro! Receitas com de imprensa ou em letras de forma deveriam ser obrigatórias. Evitaria muitos mal entendidos.

Prescreva em mL

Se você é profissional da saúde, prescreva em mL e se o medicamento for em gotas, oriente os pais a gotejar em um recipiente para depois administrar o remédio ao invés de pingar diretamente na boca do bebê/criança. A grafia mL (maíusculo mesmo), também foi padronizado para evitar confusão.

Armazenamento seguro

É mais um cuidado que os pais devem ter.  Longe do alcance das crianças  ( e dos animais de estimação)e ao abrigos de luz e fontes de calor.

Não se omita!

Viu alguma coisa errada na casa de alguém ou em algum lugar? Converse com jeito e educação, isso pode ajudar a salvar uma vida.

Liliana Junqueira de P. Donatelli

Para ler mais sobre o assunto:

Autor

Bióloga, Mestre em Saúde Coletiva, Coordenadora do Projeto Biossegurança em Odontologia, e mais recentemente do Projeto Biossegurança Beauty& Body Art, ambos patrocinados pela Cristófoli. Já ministrou mais de 500 palestras sobre o tema Biossegurança em Saúde e participa ativamente de entidades dedicadas ao Controle de Infecção em Saúde e Interesse à Saúde. É consultora em Biossegurança em Saúde da Cristófoli.

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