Nesta semana celebramos o dia internacional dedicado à higiene das mãos

Considerado o ato isolado mais importante na prevenção das infecções, a higiene das mãos tem sido cada vez mais valorizada. Em homenagem ao dia trouxe a história da higiene das mãos em infográfico com alguns números de Semmelweis. O médico húngaro lutou contra a febre puerperal que matava muitas mães e bebês no Hospital Geral de Viena e foi considerado o precursor da medida.

Comparando as Clínicas na Viena de Semmelweiss

Como ficou claro no infográfico, a clínica na qual os médicos e estudantes atendiam às parturientes havia um número muito maior de mortes, por febre puerperal, quando comparado ao da clínica onde as parteiras realizam os partos. Por quê? Os médicos e estudantes realizavam muitas necrópsias como parte do processo de ensino/aprendizado. O procedimento era muito valorizado porque permitia aos médicos entender a doença – infelizmente na maioria das vezes só depois do óbito. Tais médicos e estudantes, sem lavar as mãos (claro que nessa época não havia luvas), realizavam então os partos utilizando as suas mãos contaminadas pelos microrganismos presentes nos corpos necropsiados. As parteiras não realizavam tais procedimentos, não tendo assim essa fonte de contaminação.

As diferenças eram tão gritantes que as grávidas fugiam da clínica I, recusando-se a serem atendidas pelos médicos, já prevendo o infortúnio.

Semmelweis ficou intrigado com os números e começou a procurar o que poderia causar essas diferenças.

Semmelweis e a Epidemiologia

Um dos grandes méritos do médico, foi tabular seus dados e procurar a razão da diferença números. Embora suas medidas profiláticas de higiene das mãos tenham dado resultado, não foram bem recebidas. Para piorar a situação, as medidas eram isoladas, pois não havia ainda compreensão das causas. Assim as roupas de cama e outros tecidos que entram em contato com as parturientes não eram adequadamente higienizados, mantendo a contaminação e a cadeia de infecção  – o que acabava por minar os resultados depois de um certo tempo.

Um acidente perfurocortante fatal e esclarecedor

Um médico amigo de Semmelweis, foi ferido com um bisturi por um estudante durante uma necrópsia de uma mulher que havia morrido pela febre puerperal. Você já deve imaginar o que aconteceu… O pobre médico também foi a óbito, com os mesmos sinais e sintomas da doença. O fato alertou Semmelweis, que relacionou uma coisa com a outra e imaginou que alguma coisa pudesse ter sido transportada do cadáver para seu amigo. Hoje conhecemos  o agente causador da doença:  Streptococcus

Antes da Era de Ouro da Microbiologia

Embora fosse contemporâneo de Pasteur, Semmelweis não teve a oportunidade de conhecer seus trabalhos. A teoria mais aceita na época  culpava os miasmas pelas doenças que hoje sabemos serem causadas por microrganismos.

 

O Gênio incomprendido

Se os números eram tão bons o que faltou a Semmelweis para implementar suas medidas? Foram muitas as razões:

  • Xenofobia, o médico era húngaro trabalhando na Áustria
  • Falta de conhecimento – a teoria mais aceita era dos miasmas
  • Arrogância – Era difícil para os médicos aceitarem que eles estavam carregando a contaminação com suas mãos.
  • A própria personalidade de Semmelweis – sempre muito incisivo e pouco habilidoso como líder. Seus modos trouxeram muitas inimizades e pouco reconhecimento.

Além de Semmelweis outros médicos e cientistas lutaram por medidas de controle de infecção e higiene das mãos, mas ele  se tornou um ícone na História da Higiene das Mãos. Contribuiu de diversas maneiras, inclusive com os números que sustentam a medida.

Liliana Junqueira de P. Donatelli

Sugestões para leitura:

O Mapa Fantasma – Bomo a Luta de Dois Homens Contra o Cólera Mudou o Destino de Nossas Metrópoles Steven Johnson 

Contágio – MARTINS, Roberto de Andrade; MARTINS, Lilian Al-Chueyr Pereira; FERREIRA, Renata Rivera; TOLEDO, Maria Cristina Ferraz de. Contágio: história da prevenção das doenças transmissíveis. São Paulo: Moderna, 1997. Versão Digital preparda por Kleber Schmidt

Hand Hygiene: A Handobook For Medical Professionals – Didier Pittet, John Boyce, Benedetta Allegranzi

Infográfico história da higiene das mãos

Autor

Bióloga, Mestre em Saúde Coletiva, Coordenadora do Projeto Biossegurança em Odontologia, e mais recentemente do Projeto Biossegurança Beauty& Body Art, ambos patrocinados pela Cristófoli. Já ministrou mais de 500 palestras sobre o tema Biossegurança em Saúde e participa ativamente de entidades dedicadas ao Controle de Infecção em Saúde e Interesse à Saúde. É consultora em Biossegurança em Saúde da Cristófoli.

1 Comentário

  1. Leomar Maria Giacchini Reponder

    Mais uma vez, o preconceito (xenofobia) e a arrogância se sobrepondo ao bem de todos!

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