Você cirurgião-dentista já se deparou com essa situação?

Embora a principal queixa do paciente seja a dor de garganta e, em princípio, o dentista não é o primeiro profissional procurado, você pode receber um paciente com mononucleose infecciosa. Por isso, é importante você saber reconhecer os principais sinais e sintomas para dar o encaminhamento adequado.

Artigo publicado no JAMA reúne dados sobre o diagnóstico da doença

Um interessante artigo de revisão sistemática compilou dados da literatura para diagnosticar a monocucleose infecciosa. A pesquisa levou em consideração os exames clínicos e os achados laboratoriais comparando-os com uma referência padrão validada.

O que é a Mononucleose Infecciosa?

Segundo o artigo citado acima, a Mononucleose Infecciosa foi descrita inicialmente como uma “leucocitose mononuclear em reação à infecção aguda e também era anteriormente denominada febre glandular. A mononucleose infecciosa é causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV) e é caracterizada por febre, dor de garganta, adenopatia e mal-estar, esplenomegalia, icterícia e hepatomegalia podem ocorrer. Os sintomas podem persistir por 6 meses ou mais, e complicações sérias, como ruptura esplênica, raramente ocorrem. O diagnóstico diferencial inclui infecção por citomegalovírus, toxoplasmose, infecção por adenovírus, infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. Embora exista um exame laboratorial específico, nem sempre é capaz de detectá-la.

É a doença do beijo?

Sim. A doença também é conhecida como a doença do beijo com fundamento. O beijo na boca é uma via de transmissão do vírus de uma pessoa para outra. É bom lembrar que nem sempre que a pessoa recebe o vírus irá desenvolver a doença. Como toda doença infecciosa, é preciso mais do que a presença do microrganismo para que o individuo fique doente. A quantidade de microrganismos e o estado do sistema imunológico  estão  entre os fatores que irão determinar se a pessoa ficará ou não doente.

Sinais e sintomas de Mononucleose Infecciosa

Paciente  apresenta dor de garganta,  presença ou ausência de febre, calafrios, suores, mialgias e fadiga, o que não pode ser explicado pelo deficit de sono ou atividades habituais. Gânglios infartados nas cadeias cervicais anterior e posterior. Pode ocorrer erupção cutânea, assim como petéquias palatinas, exsudatos faríngeos e tonsilares  podem estar presentes.

Confira as conclusões do Artigo:

  • Mais comum entre 5 e 25 anos (especialmente entre 16 e 20 – em um dos artigos analisados, nessa idade cerca de 10% dos pacientes com dor de garganta tinham mononucleose infecciosa),
  • A probabilidade de Mononucleose Infecciosa é diminuída quando não há linfadenopatia presente,
  • Para fins de diagnóstico, uma alta porcentagem de linfócitos também é útil quando combinada com linfocitose atípica.

Por que é importante diagnosticar corretamente a doença?

Embora as complicações sejam raras e o tratamento seja sintomático, fazer um diagnóstico correto, evita o uso inadequado de antibióticos em pacientes com doença viral. Se o paciente suspeito tiver idade compatível, pode ser encaminhado para um pediatra e em qualquer idade para um otorrinolaringologista ou infectologista.

Liliana Junqueira de P. Donatelli

 

O Artigo:

Does This Patient Have Infectious Mononucleosis? The Rational Clinical Examination Systematic Review

Mark H. Ebell, MD, MS; Marlene Call, RN, MPH; JoAnna Shinholser, MPH; et alJack Gardner, MPH

Article Information

JAMA. 2016;315(14):1502-1509. doi:10.1001/jama.2016.2111

 

Autor

Bióloga, Mestre em Saúde Coletiva, Coordenadora do Projeto Biossegurança em Odontologia, e mais recentemente do Projeto Biossegurança Beauty& Body Art, ambos patrocinados pela Cristófoli. Já ministrou mais de 500 palestras sobre o tema Biossegurança em Saúde e participa ativamente de entidades dedicadas ao Controle de Infecção em Saúde e Interesse à Saúde. É consultora em Biossegurança em Saúde da Cristófoli.

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