ANVISA Alerta

Essa semana a ANVISA faz um novo alerta do risco para o paciente quando se usa furadeiras domésticas em cirurgia. O problema é grave e antigo, tanto que já foi tratado antes pela própria ANVISA com a publicação de uma nota técnica sobre o assunto. Há mais de 15 anos, eu estive em uma aula de validação da esterilização com a saudosa enfermeira Maria Lucia Pimentel na qual ela já alertava os enfermeiros para fugirem das improvisações. Em especial no uso de material para finalidade não pretendida, ou seja, para qual foi concebido e fabricado. E ela citou justamente o uso dos modelos domésticos de furadeiras no lugar dos equipamentos médicos adequados para a realização de cirurgias.

Tem quem use furadeiras domésticas em cirurgia? Como assim?

Sim senhor, sim senhora! Essa é uma não conformidade persistente  em cirurgias ortopédicas, e pasmem, neurológicas também! O alto custo dos equipamentos adequados convidam ao erro, num país em que a impunidade ainda é regra.

Em certas situações como essa, é preferível não realizar a cirurgia. Agora, se você está no meio do mato e a pessoa corre risco de morte, daí tudo muda. Quem assistiu Grey’s Anatomy no episódio do avião que caiu, vai apoiar a idéia…

Improvisações são bem comuns em diversas áreas da saúde. Por exemplo, nas embalagens para esterilização. Ainda tem gente usando papel kraft e saquinhos de plástico para (incorretamente) embalar materiais para serem esterilizados.

Infelizmente, a saúde e a segurança do paciente podem ficar comprometidas com o uso de material que não foi fabricado para essa finalidade.

Alguns produtos ainda não estão disponíveis em nosso mercado. Temos que ter um pensamento crítico, se vale usar a nova técnica. Estou implementando a saúde do meu paciente com isso, ou colocando-o em risco?

Quando vale improvisar?

Algumas adaptações podem acontecer, como por exemplo o uso de plásticos com qualidade alimentar como barreiras impermeáveis para cobrir superfícies complexas, difíceis de desinfetar entre um paciente e outro na odontologia. O benéfico é maior para o controle de infecção do que não usar nada. Então usamos, até termos barreiras com registro. Mas isso é uma exceção.

Uma boa dica é – se tem um produto equivalente com registro, opte por ele.

Veja as importantes diferenças entre os equipamentos apontadas pela ANVISA:

Furadeiras domésticas em cirurgia

Tem alguma dica legal sobre controle de infecção que é uma adaptação? Gostaria de discutir se vale à pena?Adicione aos comentários que colocamos em discussão.

Veja a imagem com todas  as  etapas da Esterilização 

Liliana Junqueira de P. Donatelli

Fonte: Portal da Anvisa

 

Autor

Bióloga, Mestre em Saúde Coletiva, Coordenadora do Projeto Biossegurança em Odontologia, e mais recentemente do Projeto Biossegurança Beauty& Body Art, ambos patrocinados pela Cristófoli. Já ministrou mais de 500 palestras sobre o tema Biossegurança em Saúde e participa ativamente de entidades dedicadas ao Controle de Infecção em Saúde e Interesse à Saúde. É consultora em Biossegurança em Saúde da Cristófoli.

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