Você já viu alguém com varíola?

A maioria dos  profissionais de saúde de hoje só conhecem a doença por figuras de livro, alguns ainda receberam as últimas levas de vacinas conta varíola. Ainda bem! Primeira doença a ser erradicada do mundo, a varíola devastou populações ao longo da história. Foi usada como arma de guerra biológica para exterminar habitantes das terras desejadas. Um dos grandes responsáveis pela sua eliminação foi Donal Henderson. O post de hoje é uma homenagem ao “detetive de doenças”, como ele mesmo se intitulava. Morreu aos 87 anos em 19 de agosto de 2016, e deixou um imenso legado para a humanidade.

Desfigurante, com possibilidade de levar à cegueira e muitas vezes fatal, a varíola hoje é passado.

Quem foi Donald Henderson?

Henderson passou os anos mais importantes da sua carreira como um oficial dos CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), comandou a guerra mundial para a erradicação da varíola, à frente de um pequeno grupo de funcionários de saúde pública no programa na Organização Mundial de Saúde. A operação médica de 11 anos (de 1966 a 1977) foi comparada ao esforço de uma viagem à lua.

Mais tarde de volta aos EUA, foi professor na Faculdade de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins e conselheiro da ciência e bioterrorismo em três administrações presidenciais. Henderson foi um líder e deixou o exemplo de uma vida dedicada ao combate à varíola.

  • Epidemiologista, o médico de Ohio se interessou ainda jovem pela doença, em 1947, quando Nova Iorque enfrentou um surto de varíola que resultou na vacinação de milhões de pessoas. Publicou em 2009 o livro: “A varíola: a morte de uma doença” que você deve pelo menos dar uma espiada para entender um pouco mais sobre. O texto com fotos coloridas está disponível na íntegra em: http://www.zero-pox.info/. No site você também encontra muitos detalhes sobre a trajetória de Henderson e sua luta contra a moléstia.

Vamos celebrar a grande conquista da saúde pública do século XX

Ainda no século 20, infectou  milhões de pessoas ceifando muitas vidas. A forma mais grave da doença chegava a ter uma letalidade de 67%. O esforço para eliminar a doença, estimado em 300 milhões de dólares, finalmente foi compensado. Resultado de várias ações, dentre elas uma estratégia inteligente idealizada pelo epidemiologista americano Willian Foege: a vacinação em anel. Isso porque era impossível vacinar a todos.

Vacinação em anel::

  • pacientes eram localizados e isolados pela OMS
  • vacinados todos os que tiveram contato com as vítimas
  • vacinadas as pessoas que  tiveram contatos com o segundo grupo

Na foto abaixo uma pesquiadora dos CDC estuda o vírus sob o microscópio eletrônico

Erradicação um caminho possível para outras doenças?

Não que tenha sido fácil, mas para outras doenças infecciosas o caminho é mais complicado. No caso da varíola alguns aspectos foram favorávies:

  • sintomas bem distintos – facilitava a indentificação dos casos
  • doença exclusiva em humanos – não mantinha reservatórios em animais para manter a doença dormente
  • sem trasmissão por vetores – menos fatores para serem controlados
  • vacina eficaz disponível

Mas a luta continua!

Tenho orgulho de pertencer a esse exército que tem por objetivo a prevenção e o controle de infecções!

Hoje vamos celebrar a essa vitória e render homenagem a esse grande herói e a tantos outros anônimoms que deram a sua vida para salvar a dos outros!

Saúde!

Liliana Junqueira de P.Donatelli

Autor

Bióloga, Mestre em Saúde Coletiva, Coordenadora do Projeto Biossegurança em Odontologia, e mais recentemente do Projeto Biossegurança Beauty& Body Art, ambos patrocinados pela Cristófoli. Já ministrou mais de 500 palestras sobre o tema Biossegurança em Saúde e participa ativamente de entidades dedicadas ao Controle de Infecção em Saúde e Interesse à Saúde. É consultora em Biossegurança em Saúde da Cristófoli.

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